A Importância da Vitamina D: Um verdadeiro Hormônio

Estudos epidemiológicos recentes revelam uma carência de vitamina D, tanto em crianças como em adultos, estimando-se que cerca de um bilhão de pessoas tenham insuficiência ou deficiência. A fonte de vitamina D é essencialmente a produção endógena através da exposição solar e apenas <10 % deriva das fontes alimentares. As funções clássicas da vitamina D consistem em: estimular a absorção de cálcio e fósforo no intestino e mobilizar o cálcio do osso. Além disso, aumenta a reabsorção de cálcio nos túbulos renais e favorece a maturação e a ação dos osteoclastos. A vitamina D desempenha um papel importante em diversas patologias e processos fisiopatológicos, tais como câncer, doenças imunológicas, cardiovasculares, metabólicas, pulmonares, psiquiátricas e pode, inclusive, diminuir a mortalidade geral. A 25-hidroxivitamina D é o indicador mais confiável do nível de vitamina D. Recomendam-se níveis de 25-hidroxivitamina D, pelo menos, acima de 20 ng/ml e suplementação diária com 400 UI de vitamina D que deve ser iniciada após o nascimento para todos os recém-nascidos/lactentes e crianças que não ingerem pelo menos 1 L/dia de leite fortificado com vitamina D.

A vitamina D engloba um grupo de moléculas interligadas através de uma cascata de reações fotolíticas e enzimáticas que acontecem em células de diferentes tecidos, configurando um eixo metabólico: o sistema endocrinológico vitamina D. A vitamina D tem o importante papel regulador da fisiologia osteomineral, em especial do metabolismo do cálcio, mas também está envolvida na homeostase de vários outros processos celulares, entre eles a síntese de antibióticos naturais pelas células de defesa dos mamíferos; modulação da autoimunidade e síntese de interleucinas inflamatórias; no controle da pressão arterial; e participando da regulação dos processos de multiplicação e diferenciação celular tem também papel antioncogênico. A dimensão do espectro da ação da vitamina D na fisiologia sistêmica mostra mais de 900 genes-alvos potenciais, correspondendo a cerca de 3% do genoma humano. O reconhecimento da importância da vitamina D na homeostase sistêmica despertou um grande interesse na comunidade científica, evidenciado pelo expressivo número de estudos nessas últimas décadas sobre aspectos moleculares da fisiologia da vitamina D e o impacto dos distúrbios do sistema hormonal vitamina D na saúde global dos indivíduos. Nesse âmbito, uma série de avaliações epidemiológicas mostra que uma significativa parcela da população mundial, independente da idade, etnia e da localização geográfica, apresenta baixos níveis de vitamina D. Em humanos, apenas 10% a 20% da vitamina D necessária à adequada função do organismo provém da dieta. As principais fontes dietéticas são a vitamina D3 (colecalciferol, de origem animal) e a vitamina D2 (ergosterol, de origem vegetal). Os restantes 80% a 90% são sintetizados endogenamente.

A vitamina D influencia sobre a função de vários órgãos e sistemas biológicos. Diminui o risco de desenvolvimento de doenças auto-imunes, cardiovasculares e câncer. No entanto, são necessários mais estudos para avaliar melhor o papel da suplementação da vitamina D na prevenção e tratamento das doenças. Neste sentido, torna-se importante que se defina de forma precisa o nível sérico ideal da vitamina D, quando e em que indivíduos rastrear a sua deficiência e adequar as recomendações da sua suplementação para um maior benefício na saúde, constituindo uma das mais importantes medidas de saúde pública preventiva, sendo imprescindível uma maior conscientização entre os profissionais de saúde, maior transmissão de informações fundamentais acerca dos benefícios nutricionais da vitamina D.

vimarc

 

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